terça-feira, 28 de julho de 2020

Quando a nossa comunhão com Deus está em crise


Quando uma pessoa tem um encontro com Deus, há uma mudança radical em sua vida. Seu comportamento e suas atitudes não são mais as mesmas.

Essa pessoa encontrou o sentido da vida e a razão de viver. Sim, ela encontrou Deus. Agora, ela não pensa em outra coisa, a não ser, agradar Aquele que redimiu a sua alma, aliviou o seu fardo, deu o seu suave julgo e descanso para a sua alma. Todos os seus pecados foram perdoados.

Gratidão; seria a palavra mais viável para essa sublime fase da vida de qualquer pecador cansado, quando encontra refúgio na cruz de Cristo. Por ter esse sentimento de gratidão, essa pessoa sabe que qualquer ação, palavra ou obras, devido ao imenso amor de Deus, nunca serão suficientes para alcançar uma plena certeza de que estaria quite com esse Deus tão amoroso.

Sendo assim, a única coisa que resta é nunca decepcionar o Senhor da sua vida, pois o cristão sabe o preço que foi pago, para obter essa restauração de vida: o preço de sangue de um Justo.

Porém, no decorrer da caminhada, essa pessoa percebe que não é nenhum "super homem" e que não se tornou em uma pessoa infalível. Ela descobriu a sua terrível condição de pecador, sujeito ao pecado. E, aqui, está a maior batalha de todo ser humano que teve um encontro com Deus: a batalha contra o velho "eu".
Algumas vezes, nessa batalha, essa pessoa fraqueja e cede ao pecado. Porém, essa pessoa não se sente mais confortável como antes. Ela sabe que o Deus que lhe resgatou foi ofendido. Agora, essa pessoa, ao invés de alegria, está sentindo tristeza por causa do pecado. Vem um sentimento de culpa e decepção consigo mesma.

Muitos cristãos, hoje, passam por esse tipo de crise. Acham que, por conta da falha, do erro, nunca mais terão de volta a comunhão de outrora com Deus. A esses cristãos, o apóstolo João deixou escrito: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado junto com o pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos todo o mundo." 1Jo.2:1-2.

O apóstolo Paulo, descrevendo as batalhas de um cristão disse: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo dessa morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com entendimento, sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." Rm.7:24-25
Nunca se esqueça: o Deus que te perdoou uma vez, continua perdoando e restaurando.
"Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente." HB.13:8

Por que somos tão inconstantes?

Sabe, quando você lê um versículo bíblico, ouve um louvor, lê um devocional ou artigo, faz um estudo bíblico e sente que foi tocado por aquilo? Daí, você diz: a partir de agora vou dedicar mais a minha vida ao Senhor. Porém, depois que passa aquele momento, você percebe que nada mudou e tudo continua do mesmo jeito. Não é verdade? O nome disso é Inconstância.

Então, fica a pergunta: por que somos tão inconstantes? Uma hora, estamos cheios de fé e motivação. Outra hora, não conseguimos, se quer, segurar nossa língua, em um momento de ira.

Nossa natureza é carnal e a natureza de Deus é espiritual. O Senhor Jesus, quando conversava com a mulher samaritana, disse que "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (Jo. 4:24).

Tá, mas o que isso tem a ver com a Inconstância?

Acontece que, para nós termos uma vida plena com Deus, é preciso sermos cheios do Espírito Santo. Pois é Ele quem convence (Jo.16:8), guia (Jo.16:13), exorta, consola e edifica (1Co.14:3), intercede (Rm.8:26), glorifica Cristo e o anuncia ao mundo através de nós (Jo.16:14).

Sim, uma vida cheia do Espírito Santo nos leva a uma mudança de comportamento e de mente, pois passamos a ter a mente de Cristo (1Co.2:16). Nesse momento, a vida passa a ter outro sentido. Nada mais é de nosso próprio interesse, mas do interesse de Deus (Gl.2:20).

Está mais do que na hora de buscarmos a presença de Deus, sermos cheios do Espírito, chegamos à Ele com sinceridade e coração limpo (Tg.4:8).

Seja cheio do Espírito Santo e saia desse ciclo vicioso de Inconstância. Seja determinado a andar com Deus, independente das circunstâncias. Fortaleça o seu vínculo com o Pai.

Ame, honre e exalte àquele que te amou com um amor sem dimensão e saiba que "tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus" - Filipenses:1:6

Acredite, vai passar!

Quando estamos em conflito diante dos problemas, a sensação é de que estaremos para sempre subjugados ao sofrimento. Chegamos a pensar que os dias restantes de nossas vidas serão resumidas em sofrimento e tristeza.

Quando vem, esse tipo de pensamento, somos tomados por uma mistura de medo, frustração e decepção. Tudo isso, se resume em um outro sentimento pior: angústia.

Sabe, aquela sensação de que não tem mais jeito? É o fim? Pois é! Mas, a Palavra de Deus está repleta de promessas que nos garatem que o Senhor está conosco. Ele não se esquece de nenhum dos seus (Isaías 49:15).

Deus está permitindo, essa amarga fase, porque Ele quer moldar a sua vida, forjar o seu caráter. Sim, Ele está te preparando para ser um instrumento nas mãos dele, para abençoar vidas que estão necessitadas do evangelho.

Saiba que toda essa tempestade vai passar e, quando passar, você sairá mais fortalecido e confiante em Deus.

Aprenda: nessa vida, nenhum tormento é eterno!

Após tudo isso, você entenderá o que o apóstolo Paulo que dizer em Filipenses 4:12-13 "Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece."

Acredite, vai passar!

Êh pequenino, Jesus se lembrou de você, sim!

Êh pequenino, Jesus se lembrou de você, sim! [...]

O dia mal, é o dia que o Senhor escolhe para levantar um homem ou uma mulher de Deus. Eu não conheço um homem ou mulher que tem um chamado, que não traga em seu corpo as marcas do sofrimento.

Se você está sofrendo muito, eu tenho uma palavra de benção para você: parabéns!
Parabéns, porque, se você está sofrendo muito, é sinal de que a benção será muito grande depois. É dentro da cova que o Senhor vai mandar fechar a boca do leão.

Eu não conheço ninguém que tenha uma chamada Divina que passe seus dias cantando vitória. Que passes seus dias com a alma aberta, eu não conheço ninguém!

Não conheço ninguém que tenha sucesso e nunca teve um batalhão de pessoas contra ele, jogando pedras, esperando ele cair. Eu não conheço ninguém!

Não conheço ninguém, que o Senhor exautou na terra, não tenha contraído inimigos gratuitos. Não conheço ninguém!

Você não é unanimidade. Você não é exclusivo. Deixa eu lhe dizer uma coisa: se você tem uma chamada, do jeito que grandes homens e mulheres de Deus, que já passaram por aqui, se prepara para apanhar!

Se você não dá conta, então, entrega e fala para Deus: "eu não quero mais. Eu não quero mais ser usado."

Agora, se você quiser ser usado, prepara os seus lombos com azeite, porque você vai apanhar bastante. Só que, depois que apanhar, depois que ficar isolado, solitário, vai bastar você colocar o seu joelho no chão e Deus vai levantar do seu trono e dizer: "Vai, porque Eu sou contigo! Onde você falar, falo Eu. Eu toco, eu ajudo!"

Pr. Marco Feliciano
Trecho da mensagem: O dia da provação.
Gideões 2004

Salmos 94:19


Em meio a aflição, você, com certeza, já se sentiu só. Sem ninguém, de confiança, para conversar e desabafar a sua dor, que tanto te aflige.

De repente, você se tranca no quarto, dobra os seus joelhos e não consegue dizer uma única palavra. Só lágrimas. Lágrimas de medo, de desespero, de incapacidade.
Só que, nessa hora, você começa a ter uma sensação de que você não está sozinho naquele quarto. Tem alguém, alí. Você não vê, não ouve, mas sente.

Enquanto as lágrimas caem, do nada vem à sua mente MT.11.28-30. Nesse momento, você começa a pegar confiança e consegue dizer as primeiras palavras: Senhor, me ajuda!
Ainda em prantos, você começa lembrar do que está escrito em IS.41.10. Depois, você lembrou do que está escrito em IS.43.2. Agora, suas lágrimas já não são mais de tristeza, mas de alívio, porque você está se sentindo seguro, pois sente que não está só.

Depois de receber todo esse conforto - ainda em lágrimas - mas se sentindo pequeno, diante de tão grande amor e cuidado, você começa a se perguntar o porquê disso. Nessa hora, sua mente é tomada por IS.43.1; SL91.1; 91.14; MT.28.20b; JO.16.33.

Você se levanta e sai do quarto. Os problemas ainda estão alí, mas o coração, este está em Paz!

"Quando os cuidados do meu coração se multiplicam, as tuas consolações recreiam a minha alma." - Salmos:94:19

Deixa o Senhor te usar

Quando você começou a sua caminhada, você estava cheio de entusiasmo e sonhos. Por diversas vezes, na sua inocência, você disse, em seu coração: quero ser usado por ti, Senhor!

Você dizia isso, por conta da beleza e da honra que é ser usado por Deus. Daí, o Senhor, contemplando o desejo do seu coração, sabendo da sua capacidade e da sua personalidade, falou que sim, vai te usar. Só que você não sabia que as pessoas que o Senhor usa, carregam em si, as marcas do sofrimento, porque, diante das decepções, frustrações, rejeições, perseguições, elas preferiram se subjugar à Palavra de Deus a agir pelos próprios esforços.

Você pensava que bastava conhecimento teórico das coisas Deus, e pronto! Né? Mas não. O Deus que prometeu te usar, permitiu, em sua vida, as maiores desgraças que uma pessoa pudesse suportar. E, quando veio tais coisas, em algumas delas, você fraquejou. Em outras você não caiu porque clamou pelo auxílio do Altíssimo. Tudo isso, veio sobre você, sabe por quê? Porque Ele quis te mostrar que você é cem por cento depende d'Ele.

Hoje, mais maduro, com mais conhecimento e discernimento das coisas de Deus, você está temendo. Sim, temendo ser usado por Deus. Por causa dos seus fracassos e limitações, você acha que não tem capacidade. Você se acha fraco e incapaz.

Olha o que Deus te diz agora:
"Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei; às nações te dei por profeta."
Jeremias 1:5

"Mas o Senhor me respondeu: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás."
Jeremias:1:7

Então, filho, não tenha medo. Vai, porque Deus é contigo!

domingo, 11 de novembro de 2018

Disciplina bíblica na igreja


A disciplina eclesiástica bíblica segue imediatamente o entendimento bíblico da membresia de igreja. A membresia estabelece uma fronteira ao redor da igreja, separando-a do mundo. A disciplina contribui para que a igreja que vive dentro dessa fronteira permaneça fiel àquelas coisas que, em primeiro lugar, são a causa do estabelecimento da linha de separação. Dá significado à membresia da igreja; além disso, é outra marca importante de uma igreja saudável.

O que é exatamente a disciplina eclesiástica? No sentido mais restrito, é o ato de excluir da membresia e da comunhão na ceia do Senhor alguém que confessa ser um cristão e está envolvido em pecado grave e pertinaz — pecado que ele recusa abandonar.

A fim de entendermos a disciplina eclesiástica, é proveitoso recordarmos o que falamos no capítulo 3 [do livro em questão] sobre os propósitos de Deus em
criar o universo, a humanidade, Israel e a igreja. Deus criou o universo para manifestar a sua glória. Depois, Ele criou a humanidade visando a esse mesmo propósito, especialmente por criar-nos à sua imagem (Gn 1.27). A humanidade — Adão e Eva — não manifestou a glória de
Deus; por isso, eles foram excluídos do jardim.

Então, Deus chamou Israel a manifestar a sua glória, especialmente por demonstrarem às nações a santidade e o caráter dEle revelados em sua lei (ver Lv 19.2; Pv 24.1, 25). A lei era o fundamento
para corrigir e excluir pessoas da comunidade de Israel (como vemos em Nm 15.30-31). Em última análise, a lei foi o motivo por que Deus expulsou Israel da sua terra.

Finalmente, Deus criou a igreja, como dissemos, para que ela refletisse crescentemente o caráter de Deus, conforme ele é revelado em sua Palavra. Em harmonia com toda a linha histórica da Bíblia, a disciplina eclesiástica é o ato de excluir um indivíduo que, negligentemente, traz má reputação ao evangelho e não mostra qualquer compromisso em agir de outra maneira. A disciplina ajuda a igreja a
refletir com fidelidade o glorioso caráter de Deus. Ajuda-a a permanecer santa. É uma tentativa de polir o espelho e remover qualquer mancha (ver 2Co 6.14-7.1; 13.2; 1Tm 6.3-5; 2Tm 3.1-5). Por que devemos praticar a disciplina? Para que o caráter santo e amoroso de Deus apareça com mais clareza e resplandeça com mais intensidade.

Como se realiza o processo de disciplina? Visto que as circunstâncias do pecado variam tremendamente, temos necessidade de sabedoria pastoral diversificada para discernirmos como tratar cada situação.
As palavras de Jesus, registradas em Mateus 18 nos fornecem os limites gerais (vv. 15-17). Começam com a instrução de falarmos em particular com o irmão ou a irmã que pecou. Se o pecador se arrepende, o processo de disciplina termina. Se não, devemos procurá-lo novamente acompanhados de outro cristão. Se ele ou ela não se arrepender, então, como Jesus o expressou: “Dize-o à igreja; e, se recusar
ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18.17), ou seja, uma pessoa que não pertence à igreja.
Essa idéia talvez pareça severa para muitos em nossos dias. Ora, Jesus não proibiu seus discípulos de julgarem os outros? Em um
sentido, Ele realmente proibiu: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1). Contudo, no mesmo evangelho, Jesus exortou as igrejas a repreenderem — publicamente — seus membros por
causa de pecado (Mt 18-15-17; cf. Lc 17.3). Portanto, as palavras de Jesus, “não julgueis”, não pretendiam excluir tudo que pode hoje ser chamado de “julgar”.

 Deus mesmo é um juiz. Ele julgou Adão no jardim. No Antigo Testamento, ele julgou tanto nações como indivíduos. No Novo Tes-
tamento, Ele promete que os cristãos serão julgados de acordo com suas obras (ver 1Co 3). E promete que, no último dia, Ele se revelará como juiz de toda a humanidade (ver Ap 20). Deus nunca erra em seu julgamento. Ele está sempre certo (ver Js 7; Mt 23; Lc 2; At 5; Rm 9). Às vezes, os propósitos de Deus no julgamento são corretivos e restauradores, como acontece quando Ele disciplina os seus filhos. Às vezes, seus propósitos são retribuidores e vingadores, como acontece quando Ele derrama sua ira sobre os ímpios (ver Hb 12). De qualquer maneira, o juízo de Deus é sempre justo. O que surpreende muitas pessoas em nossos dias é o fato de que, às vezes, Deus usa seres humanos para realizar o seu julgamento. O Estado tem a responsabilidade de julgar os seus cidadãos (ver Rm 13). Os cristãos são instruídos a julgarem a si mesmos (ver 1Co 11.28; Hb 4; 2Pe 1.5). As congregações são aconselhadas a julgar ocasionalmente os membros da igreja — embora não da maneira final como Deus julga.

Em Mateus 18, 1 Coríntios 5-6 e outras passagens bíblicas, a igreja é instruída a exercer julgamento dentro de si mesma. Esse julgamento tem propósitos restauradores e não vingativos (Rm 12.19). Paulo instruiu a igreja de Corinto a entregar um homem adúltero “a Satanás
para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo” (1Co 5.5).

Ele disse essas mesmas palavras a Timóteo, ao referir-se aos falsos ensinadores (1Tm 1.20). Não devemos ficar surpresos com o fato de que Deus nos chama a exercer certo tipo de julgamento ou disciplina. Se as igrejas esperam ter algo a dizer a respeito de como os cristãos vivem, elas terão de dizer algo a respeito de como os cristãos não vivem. Preocupo-me com o fato de que muitas igrejas lidam com a disciplina como se estivessem derramando água em baldes furados — toda a atenção é dada ao que
é derramado, sem qualquer preocupação com a maneira como é recebido e retido. Um dos sinais dessa tendência é o declínio na prática de disciplina eclesiástica nas últimas gerações.

Um escritor do movimento de crescimento de igrejas resumiu essa estratégia em igrejas que crescem usando estas palavras: “Abra a porta da frente e feche a porta de trás”. Ele quis dizer que as igrejas devem tornar-se mais acessíveis aos de fora, enquanto também fazem um trabalho melhor de acompanhamento. Esses são bons alvos. Mas suspeito que muitos pastores e igrejas de nossos dias já aspiram fazer isso, e fazê-lo em excesso. Então, permita-me apresentar o que creio
seja uma estratégia mais bíblica: guarde cuidadosamente a porta da frente e abra a porta de trás. Em outras palavras, torne mais difícil o unir-se à igreja e mais fácil o ser excluído. Lembre: o caminho da vida
é estreito e não largo. Fazendo isso, eu creio, ajudaremos as igrejas a
recuperarem a distinção do mundo, conforme planejado por Deus.

Um dos primeiros passos no exercício da disciplina é exercer maior cuidado em receber novos membros. A igreja deve pedir que todos os interessados em ser membros digam o que é o evangelho e dêem alguma evidência de que entendem a natureza da vida que honra a Cristo. Os candidatos à membresia se beneficiarão de saber o que a igreja espera deles e conhecer a importância do seu compromisso. Se as igrejas fossem mais cuidadosas no reconhecimento e na recepção de novos membros, teriam, posteriormente, menos ocasiões de praticar a disciplina corretiva.
A disciplina eclesiástica pode ser realizada de modo impróprio.

O Novo Testamento nos ensina a não julgar os outros por motivos que lhes imputamos (Mt 7.1) ou a julgar uns aos outros em questões secundárias (Rm 14-15). Ao realizarmos a disciplina, nossas atitudes
não devem ser vingativas, e sim amorosas, sendo “compassivos em temor” (Jd 23). Não podemos negar que a disciplina eclesiástica está repleta de problemas de sabedoria e aplicação pastoral. Contudo, devemos lembrar que toda a vida cristã é difícil e está exposta ao abuso. E nossas dificuldades não devem ser usadas como desculpa para deixarmos de praticar qualquer mandamento.

 Cada igreja local tem responsabilidade de julgar a vida e o ensino
de seus líderes e membros, especialmente quando ambas as coisas comprometem o testemunho do evangelho (ver At 17; 1Co 5; 1Tm 3; Tg 3.1; 2Pe3; 2Jo). A disciplina eclesiástica bíblica é obediência a Deus e uma confissão de que precisamos de ajuda. Você pode imaginar um mundo em que Deus nunca usasse seres humanos como nós para exercer seu julgamento, um mundo em que os pais nunca disciplinassem os filhos, o Estado nunca punisse os transgressores e as igrejas nunca repreendessem seus membros? Todos chegaríamos ao Dia do Juízo sem haver experimentado o chicote do juízo terreno e, assim, ter sido avisados de antemão quanto ao julgamento maior que viria sobre nós.
Quanta misericórdia da parte de Deus, pois Ele nos ensina agora, por meio dessas disciplinas temporárias, sobre a justiça irrevogável que virá (cf. Lc 12.4-5).

Eis cinco razões positivas para praticarmos a disciplina eclesiástica corretiva. Ela mostra amor:
1. pelo bem do indivíduo disciplinado;
2. pelos outros cristãos, quando eles vêem o perigo do pecado;
3. pela saúde da igreja como um todo;
4. pelo testemunho coletivo da igreja e, conseqüentemente, pelos não-cristãos da comunidade;
5. pela glória de Deus. Nossa santidade deve refl etir a santidade de Deus.

Ser membro de igreja é importante, não por causa de nosso orgulho pessoal, e sim por causa do nome de Deus. A disciplina eclesiástica bíblica é outra marca importante de uma igreja saudável.

[Arthur Hildersham - O que é uma Igreja saudável? - Editora: Shedd Publicações - pág. 91-95]